ZL Vórtice – Intervenções Urbanas

O território é delimitado por rios / avenidas: o Aricanduva, o Verde-Jacú e, ao norte, o Tietê, na altura do Parque Ecológico. Delineia portanto um vórtice que tem por fulcro o Parque do Carmo. A área é atravessada por diversos sistemas de transporte: metrô, auto-estradas e trens de passageiros e carga. É um eixo de articulação com o aeroporto de Guarulhos, o rodoanel sul e o porto de Santos.

É uma região de São Paulo que atualmente passa por intensos processos de transformação, devido aos grandes investimentos em infraestrutura e equipamentos públicos, como os polos institucional e tecnológico de Itaquera, além do estádio do Corinthians. É alvo de Operação Urbana e integra o espectro do Arco do Futuro, plano de desenvolvimento urbano da Prefeitura.

Rios, autopistas, linhas de trem: esse espaço escoa por todos os lados. Bacias fluviais afetadas por canalizações, várzeas ocupadas que não conseguem mais regular o fluxo das águas, enchentes. Uma conformação geológica formada por maciços graníticos e vales fluviais, profundamente afetados por ocupações e atividades extrativas industriais. Pedreiras e olarias reviraram os terrenos, os aterros criaram paisagens instáveis. Terrenos movediços feitos de material heterogêneo, resultado do acúmulo de rejeitos e restos de demolições.

Todo o território é dominado por fenômenos de inclinação, de desvio de equilíbrio, que as lajes em concreto e os cortes e aterros nos morros procuram anular. Mas o terreno é em declive, as construções se projetam, os fluxos acentuam a erosão do solo e a dispersão social. Uma arquitetônica que resiste ao nível e ao prumo, ao princípio da contenção. Estabilização à beira do desmoronamento.

Essa área da Zona Leste apresenta extraordinária dinâmica. Situações críticas, capazes de engendrar mutações topológicas, econômicas, populacionais, urbanas, culturais. Justamente as áreas entendidas como periféricas, aparentemente amorfas, um acúmulo indistinto de edificações improvisadas, materiais industriais abandonados e terrenos baldios. Essa paisagem em movimento acelerado é o lugar da emergência de novos fenômenos e práticas sociais, de novos arranjos produtivos e urbanos, de novos dispositivos tecnológicos. O vórtice é onde a reinvenção da cidade pode acontecer.

Coordenação:

Nelson Brissac Peixoto (PUC-SP), Ary Perez (Poli-USP), Gilbertto Prado (ECA-USP), Ruy Lopes (Instituto Arquitetura e Urbanismo USP- São Carlos).

Realização:

Centro Universitário Maria Antônia – USP

Arte/Cidade

Apoio:

PPG-AV ECA-USP

Fapesp

TAL  – Rede de Televisões Culturais da América Latina